que es la hipoglucemia

O que é a hipoglicemia: sintomas, causas, tipos e tratamento

A hipoglicemia, conhecida popularmente como descida de açúcar, é uma das situações médicas mais frequentes em pessoas com diabetes, embora também possa afetar quem não a tem. Compreender o que é, como reconhecê-la e como agir perante ela pode fazer uma enorme diferença, especialmente nos episódios mais graves.

Neste artigo encontrarás toda a informação que precisas: desde a definição médica até aos tipos de hipoglicemia, os seus sintomas mais comuns, as causas que a provocam e o tratamento mais eficaz para recuperar rapidamente.

O que é a hipoglicemia?

A hipoglicemia é uma condição em que o nível de glicose no sangue desce abaixo dos valores considerados normais. A glicose é o principal combustível do organismo e, quando escasseia, o corpo e o cérebro não conseguem funcionar normalmente.

Do ponto de vista clínico, considera-se hipoglicemia quando a glicose no sangue cai abaixo de 70 mg/dL em pessoas com diabetes. Em pessoas sem diabetes, o limiar pode situar-se em torno dos 50-55 mg/dL, embora os sintomas possam aparecer antes se a descida for muito brusca.

É importante saber que a hipoglicemia não é uma doença em si, mas um sinal de alerta que pode ter múltiplas causas. Por isso, conhecê-la bem é fundamental para agir a tempo.

Quando se considera hipoglicemia?

Embora 70 mg/dL seja o limiar de referência mais utilizado na prática clínica, os valores podem variar consoante a pessoa e o contexto. Em pessoas com diabetes tipo 1, episódios frequentes de hipoglicemia podem fazer com que o organismo deixe de perceber os sintomas habituais, o que é conhecido como hipoglicemia assintomática ou desconhecimento da hipoglicemia.

A classificação por níveis de gravidade é a seguinte:

  • Hipoglicemia leve: glicose entre 54 e 70 mg/dL. A pessoa está consciente e pode tratar-se a si própria.

  • Hipoglicemia moderada: glicose abaixo de 54 mg/dL. Aparecem sintomas mais intensos e a capacidade de reação pode ser afetada.

  • Hipoglicemia grave: a pessoa não consegue cuidar de si própria. Requer ajuda externa ou intervenção médica urgente.

rapariga a verificar hipoglicemia

Sintomas da hipoglicemia: como saber se tens o açúcar baixo

Os sintomas de uma descida de açúcar podem variar bastante de pessoa para pessoa e dependem da rapidez com que a glicose cai, não apenas do valor final. Isto explica por que algumas pessoas sentem sintomas intensos com glicoses relativamente normais e outras não notam nada com valores muito baixos.

Sintomas adrenérgicos (o corpo ativa o sistema de alarme):

  • Tremores ou sensação de calafrios

  • Palpitações e taquicardia

  • Sudação fria e súbita

  • Palidez

  • Sensação intensa de fome

  • Ansiedade ou nervosismo sem causa aparente

Sintomas neuroglucopénicos (o cérebro começa a receber menos glicose):

  • Dificuldade em concentrar-se ou pensar com clareza

  • Dor de cabeça

  • Visão turva ou dupla

  • Confusão ou desorientação

  • Fala arrastada ou dificuldade em falar

  • Sonolência extrema

  • Em casos graves: convulsões ou perda de consciência

Como saber se tenho o açúcar baixo sem glicómetro?

A forma mais fiável de confirmar uma hipoglicemia é medir a glicose com um glicómetro ou um monitor contínuo de glicose (MCG). No entanto, se não tiver um à mão, há sinais físicos que podem orientar:

  • Aparecimento súbito de tremor, suor frio ou fome urgente, especialmente se estiver horas sem comer ou tiver feito exercício intenso.

  • Sensação de tontura ou "cabeça vazia" combinada com irritabilidade.

  • Se toma insulina ou medicação para a diabetes e está mais tempo do que o habitual sem comer.

Nessas situações, se tiver dúvidas, o mais seguro é agir como se fosse uma hipoglicemia e tomar açúcar de ação rápida. Tratar uma descida que não era tal não representa risco importante; ignorar uma descida real pode ter consequências graves.

Causas da hipoglicemia

As causas diferem significativamente consoante a pessoa tenha diabetes ou não.

Hipoglicemia em pessoas com diabetes

É a forma mais frequente e costuma estar relacionada com um desequilíbrio entre a medicação, a alimentação e a atividade física:

  • Dose excessiva de insulina ou de medicamentos hipoglicemiantes como as sulfonilureias.

  • Pular uma refeição ou comer menos hidratos de carbono do que o habitual.

  • Exercício físico intenso ou prolongado, que aumenta a sensibilidade à insulina durante várias horas depois.

  • Consumo de álcool, especialmente com o estômago vazio, pois o fígado prioriza o metabolismo do álcool sobre a produção de glicose.

  • Mudanças na rotina, como viagens, stress intenso, doenças intercurrentes ou mudança de fuso horário.

90% das hipoglicemias em pessoas com diabetes ocorrem por causas externas e são evitáveis com uma boa educação para a saúde e um ajuste adequado do tratamento.

Hipoglicemia em pessoas sem diabetes

Embora menos frequente, também acontece. As suas principais causas são:

  • Jejum prolongado ou restrição calórica extrema.

  • Consumo excessivo de álcool.

  • Determinados medicamentos como betabloqueantes, quinolonas ou salicilatos em doses elevadas.

  • Doenças hepáticas, renais ou suprarrenais.

  • Tumores produtores de insulina (insulinoma), muito raros. Também cirurgias gástricas prévias.

Tipos de hipoglicemia

Nem todas as hipoglicemias são iguais. Conhecer o tipo ajuda a compreender melhor as suas causas e o tratamento mais adequado em cada caso.

Hipoglicemia diabética

É a mais conhecida. Ocorre em pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 que usam insulina ou certos fármacos orais. Uma pessoa com diabetes tipo 1 pode sofrer episódios de baixa de açúcar até duas vezes por semana em média. É fundamental que tanto o paciente como os seus conviventes saibam reconhecê-la e tratá-la.

Hipoglicemia reativa ou pós-prandial

A hipoglicemia reativa é aquela que ocorre entre 2 e 4 horas após comer, especialmente após ingerir alimentos ricos em hidratos de carbono de absorção rápida. Ocorre porque o pâncreas segrega mais insulina do que o necessário em resposta à comida, o que faz com que a glicose caia em excesso pouco depois.

É mais frequente em pessoas sem diabetes e pode passar despercebida durante muito tempo. Os seus sintomas típicos surgem após comer: sensação súbita de fome, tonturas, irritabilidade, palpitações e fadiga intensa.

O tratamento baseia-se principalmente em alterações na dieta: fazer refeições mais frequentes e de menor tamanho, reduzir os hidratos de carbono de absorção rápida e priorizar os alimentos com baixo índice glicémico. Em casos relacionados com stress crónico, a gestão emocional também desempenha um papel importante.

Hipoglicemia neonatal

A hipoglicemia neonatal afeta recém-nascidos e é a perturbação metabólica mais frequente nesta fase da vida. Ocorre porque o bebé ainda não tem maduros os mecanismos de regulação do açúcar no sangue e as suas reservas de glicogénio são limitadas.

Os grupos de maior risco são:

  • Bebés prematuros ou com baixo peso ao nascer (menos de 2.500 g).

  • Filhos de mães com diabetes mellitus, especialmente se estava mal controlada.

  • Bebés grandes para a sua idade gestacional (mais de 4.000 g).

  • Recém-nascidos com hipotermia, asfixia perinatal ou outras complicações ao nascer.

Os sintomas são inespecíficos: o bebé pode estar irritável, flácido, com dificuldade em alimentar-se, tremores ou episódios de apneia. Em muitos casos não há sintomas visíveis. Por isso, nos grupos de risco realiza-se controlo rotineiro da glicemia desde as primeiras horas de vida.

O tratamento consiste em iniciar a alimentação de forma precoce (idealmente na primeira hora de vida) e, se a hipoglicemia persistir ou for grave, administrar glucose por via intravenosa sob supervisão médica.

Hipoglicemia noturna

Ocorre durante o sono e é especialmente difícil de detetar porque a pessoa não acorda nem nota os sintomas habituais. Pode manifestar-se no dia seguinte como dor de cabeça matinal, cansaço inexplicável ou a sensação de ter dormido mal sem razão aparente. O uso de monitores contínuos de glucose (MCG) com alarmes é especialmente útil para detetá-la em pessoas com alto risco.

medidor de hipoglicemia

Que tipo de diabetes é a hipoglicemia?

É uma pergunta frequente que merece uma resposta clara: a hipoglicemia não é um tipo de diabetes. É uma complicação ou efeito secundário do tratamento da diabetes, especialmente da diabetes tipo 1 e de certos tratamentos para a diabetes tipo 2. Também pode ocorrer em pessoas completamente saudáveis, sem qualquer relação com a diabetes.

Hipoglicemia e hiperglicemia: em que se diferenciam?

São os dois extremos do controlo glicémico. Enquanto a hipoglicemia implica um nível de glucose demasiado baixo (abaixo de 70 mg/dL), a hiperglicemia é a situação contrária: um excesso de glucose no sangue (acima de 126 mg/dL em jejum segundo critérios diagnósticos de diabetes).

Ambas podem ser perigosas, mas a hipoglicemia requer ação imediata porque o cérebro pode ser comprometido em minutos. A hiperglicemia, embora também grave a longo prazo, geralmente dá mais margem de tempo antes de se tornar uma emergência.

Como se trata a hipoglicemia

O tratamento varia conforme a gravidade do episódio e a situação da pessoa. Agir rapidamente e corretamente é fundamental para evitar que uma hipoglicemia leve se transforme numa emergência.

Tratamento da hipoglicemia leve ou moderada: a regra 15/15

Se estiver consciente e conseguir engolir, a recomendação é regra do 15/15:

  1. Tome 15 gramas de hidratos de carbono de absorção rápida.

  2. Espere 15 minutos.

  3. Meça novamente a glicose.

  4. Se continuar abaixo de 70 mg/dL, repita o processo.

Para subir o açúcar rapidamente, as opções mais utilizadas são: um copo de sumo de fruta natural, três ou quatro comprimidos de glucose, um pacote de açúcar dissolvido em água ou uma bebida açucarada sem gás. Consulte o nosso guia completo sobre como subir o açúcar rápido (/subir-azucar-rapido/) para conhecer todas as opções disponíveis e quais atuam mais rapidamente.

Uma vez que a glicose ultrapassa os 70 mg/dL, é importante comer um snack que inclua hidratos de carbono de absorção mais lenta (como pão, bolachas integrais ou fruta) para evitar que o açúcar volte a baixar nos minutos seguintes.

Produtos específicos para tratar a hipoglicemia

Existem soluções desenhadas especificamente para este fim que oferecem uma dose precisa e conhecida de glicose, facilitando o tratamento e reduzindo a margem de erro:

  • Géis de glucose: de absorção muito rápida, ideal quando a pessoa tem dificuldades para engolir ou está sonolenta. Pode ser aplicado diretamente na mucosa da boca sem necessidade de engolir.

  • Pastilhas de glucose: fáceis de transportar sempre consigo. Cada comprimido contém uma dose fixa (habitualmente 4 g de glicose), o que permite controlar com precisão a quantidade ingerida.

Ambas as opções apresentam uma vantagem sobre os alimentos ou bebidas convencionais: não contêm gorduras nem proteínas, o que permite que a glicose seja absorvida de forma mais rápida e previsível.

Tratamento da hipoglicemia grave

Quando a pessoa está inconsciente, muito confusa ou não consegue engolir com segurança, não se deve tentar administrar nada pela boca. As opções neste caso são:

  • Glucagon: hormona que eleva os níveis de glicose no sangue. Pode ser administrada como injeção intramuscular ou através de spray nasal. As pessoas com diabetes de alto risco devem ter sempre um kit de glucagon disponível e os seus conviventes saber como usá-lo.

  • Glicose intravenosa: administrada por pessoal de saúde num contexto de urgências hospitalares.

Se a pessoa perder a consciência ou tiver convulsões, ligue imediatamente para o 112.

Como prevenir as hipoglicemias

A prevenção é sempre o melhor tratamento. Estas são as estratégias mais eficazes segundo o perfil de cada pessoa:

Se tem diabetes:

  • Não omita refeições nem lanches e mantenha horários regulares de alimentação.

  • Controle a sua glicose antes e depois do exercício físico, especialmente se for intenso ou prolongado.

  • Ajuste a dose de insulina com o seu médico quando mudar a sua rotina (viagens, doenças, maior atividade).

  • Tenha sempre consigo uma fonte de glicose de ação rápida.

  • Eduque os seus familiares ou pessoas próximas sobre o que fazer se tiver uma hipoglicemia grave.

  • Considere o uso de um monitor contínuo de glicose (MCG) com alarmes se sofrer episódios frequentes ou tiver hipoglicemia assintomática.

Se não tem diabetes mas sofre de hipoglicemias:

  • Evite o jejum prolongado e os hidratos de carbono refinados em grandes quantidades.

  • Reduz o consumo de álcool, especialmente com o estômago vazio.

  • Distribui as refeições em 5-6 pequenas doses ao longo do dia para manter níveis estáveis de glucose.

  • Consulta o teu médico se os episódios forem frequentes para descartar causas subjacentes como hipoglicemia reativa ou alterações hormonais.

Perguntas frequentes sobre a hipoglicemia

A hipoglicemia é sempre um sintoma de diabetes?

Não. Embora seja muito mais frequente em pessoas com diabetes que usam insulina ou certos medicamentos, também pode afetar pessoas saudáveis devido a jejum, exercício intenso, consumo de álcool ou outras causas médicas.

Posso ter hipoglicemia se tiver diabetes tipo 2?

Sim, especialmente se tomas insulina ou sulfonilureias. As pessoas com diabetes tipo 2 que apenas controlam a glucose com dieta ou com metformina têm um risco muito menor de hipoglicemia.

O que acontece se a hipoglicemia não for tratada?

Uma hipoglicemia não tratada pode evoluir para um estado de confusão grave, convulsões, perda de consciência e, em casos extremos, dano cerebral ou morte. Por isso, é fundamental agir rapidamente perante qualquer suspeita.

Quanto tempo demora a subir o açúcar depois de tomar glicose?

Com hidratos de carbono de ação rápida como o gel ou as pastilhas de glucose, a melhoria costuma notar-se em 10-15 minutos. Se após 15 minutos não houver melhoria, deve repetir-se a dose. Se depois de duas doses a situação não melhorar, procura assistência médica imediata.

Pode a hipoglicemia ocorrer durante a noite?

Sim, a hipoglicemia noturna é mais comum do que se pensa, especialmente em pessoas com diabetes tipo 1. Pode passar completamente despercebida durante o sono. Sintomas ao acordar como dor de cabeça, roupa encharcada de suor ou sensação de cansaço após dormir podem ser indicativos.

Evita que as hipoglicemias sejam um problema

A hipoglicemia é uma situação frequente que pode variar desde um ligeiro mal-estar até uma emergência médica. Reconhecer os seus sintomas, conhecer as suas causas e saber exatamente como agir, tanto se a sofreres tu como se for alguém do teu círculo, é fundamental para a gerir com segurança e sem perder o controlo.

Se os teus episódios de baixa de açúcar forem frequentes, consulta sempre a tua equipa médica para ajustar o tratamento e, se tens diabetes, certifica-te de que levas sempre contigo fontes de glucose de ação rápida. Estar preparado é a melhor forma de evitar que uma baixa de açúcar te apanha desprevenido.

 

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